ANIVERSÁRIO DE UMA CIDADE ESCRAVA
Maricá celebra nesta quinta-feira mais uma tradição medieval em pleno século XXI.
O burgomestre, sacudindo a pança e rebolando os bolsos ainda mais gordos, levado pelo cabresto por uma digníssima Besta de bordel ao comando de mais um espetáculo pago com o dinheiro do povo.
Para resguardar a cambada de cretinos homenageados com o dinheiro público, será convocada a Guarda Municipal e outras unidades de repressão. No palacete, alugado às custas do Erário, mais uma esbórnia estará se realizando.
Desfilarão pela cidade convidados que nunca sequer souberam de sua existência, mas aqui vão comparecer para enriquecer o currículo, receber medalhinhas banhadas em sangue e morte, made in Paraguai, que custaram os olhos da cara do povo.
Sob as bênçãos de religiosos, contratados devidamente para a festa, alguns até agraciados, tudo correrão como o diabo gosta e a corrupção aplaude.
Aos verdadeiros donos da festa e do município, restarão as migalhas de um circo mambembe, numa praça em ruínas, enquanto o burgomestre, vereadores, comissionados, turistas, secretinos, inclusive a cambada de convidados, se banqueteiam à farta. Bebem do sangue da população e comem a carne de seu sofrimento.
Restará a rua para se brandir forcados, foices, pás, enxadas, gesto que receberá em resposta as migalhas de outras novas promessas, que profusamente serão jogadas como farelo aos porcos.
Uma exibição dantesca do medievalismo de uma cidade assaltada e violentada pela própria canalha política. Resta-nos ficar com Castro Alves: "...aonde a terra que talhamos livre,/ aonde o povo que fizemos forte?" (A visão dos mortos)
Luiz Gadelha # lgadelha2@gmail.com
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