MINISTÉRIO PÚBLICO INVESTIGARÁ EVOLUÇÃO PATRIMONIAL DE PALOCCI
O Ministério Público Federal decidiu abrir investigação para averiguar de que maneira o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, multiplicou seu patrimônio por 20 em apenas quatro anos.
A suspeita do procurador da República Paulo José Rocha Júnior é de improbidade administrativa. “Embora a imprensa tenha notificado expressivo crescimento patrimonial do representado, não foram apresentadas publicamente justificativas que permitam aferir a compatibilidade dos serviços prestados pela empresa Projeto com os vultosos valores recebidos”, diz o texto da representação.
Para o procurador, só é possível avaliar uma suposta irregularidade com a análise dos documentos protegidos por sigilo contratual.
A revelação ocorre apenas um dia depois da presidente Dilma Rousseff sair publicamente em defesa do ministro. Na terça-feira, Dilma falou abertamente sobre o caso pela primeira vez – e fez uma defesa veemente de Palocci.
A presidente afirmou lamentar que a questão esteja sendo politizada. “Quero assegurar que o ministro Palocci está dando todas as explicações para os órgãos de controle. Espero que esta questão não seja politizada”, afirmou.
Uma empresa de propriedade de Palocci, a Projeto, comprou dois imóveis (um escritório de mais de 800.000 reais e um apartamento de mais de 6 milhões de reais) entre 2006 e 2010.
Uma empresa de propriedade de Palocci, a Projeto, comprou dois imóveis (um escritório de mais de 800.000 reais e um apartamento de mais de 6 milhões de reais) entre 2006 e 2010.
E o ministro resiste a revelar quem eram seus clientes na Projeto para justificar a evolução do patrimônio.
Além disso, circula a informação de que a empresa WTorre Empreendimentos Imobiliários, cliente da Projeto, teria recebido restituição dos impostos em prazo recorde pela Receita Federal.
“A Fazenda demorou um determinado tempo, em torno de dois anos e a Justiça determinou à Fazenda o pagamento da restituição devida à empresa. Não se trata de maneira alguma de nenhuma manipulação.
“A Fazenda demorou um determinado tempo, em torno de dois anos e a Justiça determinou à Fazenda o pagamento da restituição devida à empresa. Não se trata de maneira alguma de nenhuma manipulação.
Lamento que um caso desse tipo esteja sendo politizado”, afirmou Dilma. Segundo a presidente, o ministro Palocci dará todas as explicações sobre seu enriquecimento para o Ministério Público nos próximos dias.
Caso
Caso
A empresa WTorre conseguiu a restituição de cerca de 10 milhões de reais da Receita Federal 43 dias depois de ter feito o pedido. A oposição avaliou esse tempo como rápido demais e desconfiou de uma provável influência de Palocci no caso.
O levantamento foi pelo deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) por meio do Siaf. A WTorre doou pelo menos 2 milhões de reais para a campanha de Dilma Rousseff em 2010.
Nesta quarta-feira, o Ministério da Fazenda informou, em nota, que a restituição ocorreu por determinação judicial.
Nessa nova enrascada de Palocci, como num daqueles filmes trash de continuação – Palocci II, A República Que Se Cuide, ou algo do gênero -, o que mais me impressiona, além da cara de pau do dito cujo – que não nos dá o prazer (argh) de ouvir nenhum sibilo explicativo de sua língua plesa sobre seu espetaculoso enriquecimento, é a omissão da presidenta (quem era mesmo? Tem alguém aí?) e, como se não bastasse, a volta de Lula, o Senhor Deixa Que Eu Resolvo e suas bravatas de salão.
Revista VEJA online. Antonio Palocci com Dilma Rousseff em Brasília (Antônio Cruz/ABr)


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