Gasolina
comum, aditivada, premium ou álcool... qual combustível usar?
Responda rápido: qual a diferença entre gasolina comum, aditivada e
premium? Se você não souber, não se acanhe. Visitamos alguns postos do Rio e
descobrimos que até os frentistas ficam confusos.
José Bispo, 35 anos, seis à frente das bombas, começou bem ao falar da
diferença entre a comum e a aditivada:
— A segunda tem aditivos que protegem o motor — acertou na mosca.
Mas derrapou na hora de indicar as vantagens da gasolina premium:
— É mais cara e boa para "carros rápidos", mas o motivo eu não
sei — confessou, com um sorriso envergonhado.
A ajuda veio de outro colega do posto: a premium tem octanagem maior.
Enquanto a comum e a aditivada partem de 87 octanas, a premium começa em 91.
É indicada para carros de alto desempenho. Nesse caso, não importa a
cilindrada ou a potência, mas a taxa de compressão. Para quem tem um
superesportivo, o ideal é consultar o manual do fabricante para ver se o
combustível é indicado.
Das gasolinas premium à venda no Brasil, a mais poderosa e fácil de
encontrar é a Podium, vendida nos postos BR: 95 octanas (medidas pelo sistema
IAD).
— Qualquer veículo pode usar a premium. Mas os benefícios só serão
efetivos se o fabricante recomendar este tipo de gasolina — analisa Sérgio
Viscardi, Gerente do Departamento Técnico de Lubrificantes da Ipiranga.
A maioria das pessoas opta pela gasolina comum ou pelo álcool, as duas
opções mais baratas. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e
Biocombustível (ANP), o preço médio da gasolina comum no Rio é de R$ 3,70 e o
do álcool é de R$ 2,86 (consulta realizada no dia 23/10). Estes combustíveis
apenas cumprem seu papel, sem trazer grandes benefícios.
— A gasolina comum gera alguns resíduos nas tulipas da válvulas. Com o
tempo, isso aumenta um pouco o consumo e as emissões — alerta Sergio Luiz
Camacho, diretor da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA).
Por isso, é unanimidade entre os especialistas o uso da aditivada. A
octanagem é a mesma das gasolinas comuns. A diferença são os aditivos com ação
detergente/dispersante, que limpam o sistema de alimentação do motor.
Sem sujeiras e obstáculos no caminho, a mistura entre ar e gasolina se
dá de forma mais próxima do ideal, gerando mais energia. O carro anda mais e
bebe (um pouco) menos.
A frequência do uso da gasolina aditivada divide os especialistas. Para
Sergio Camacho, da AEA, a aditivada deve ser usada sempre que possível. Já
Henrique Pereira, da Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE), diz que os benefícios
são praticamente os mesmos usando o combustível mais caro a cada três ou quatro
tanques.
A discórdia pode acabar em 2014, quando uma portaria da ANP poderá
tornar obrigatória a aditivação de toda gasolina para reduzir emissões.
CARRO
QUE “BATE PINO” PEDE UM POUCO DE ÁLCOOL AO ABASTECER
Para manter o motor limpinho, também pode-se comprar aditivos e
adicioná-los no tanque. Mas essa mistura deve ser feita na proporção certa.
— Aditivos ruins podem até corroer o motor — alerta Henrique Pereira, da
Comissão Técnica de Motores Ciclo Otto da SAE.
E aquela história de que não se deve usar gasolina aditivada em carro
com carburador não passa de uma lenda. O combustível com aditivos é arrastado
para dentro do motor pelo ar da admissão (no sistema de injeção eletrônica, é
injetado sob pressão no fluxo de ar).
Os carros flex ainda estão rodeados de mitos. Um dos "causos"
diz que não se deve abastecer com um único combustível durante a vida inteira
do carro.
Não é bem assim: todos os modelos flex podem rodar somente com álcool ou
gasolina sem problemas. Mas há vantagem em mudar de combustível de vez em
quando.
— O álcool é o melhor limpador de motores que existe, e a gasolina é
lubrificante — compara Henrique, da SAE.
Por isso, o especialista diz ser interessante trocar completamente de
combustível a cada dez tanques, em média.
Deve-se ter cuidado quando é feita a troca "radical" de
combustível na reserva: por exemplo, rodar por vários tanques com etanol e
abastecer com gasolina (ou vice-versa). Após substituir o produto, é
aconselhável dirigir por pelo menos dez quilômetros sem desligar até que o
sistema reconheça a mudança do combustível.
— Se isso não for feito, o motor poderá não entrar em funcionamento na
próxima partida — alerta Gilberto Pose, coordenador técnico de combustíveis da
Raizen (dona dos postos Shell).
Se a gasolina está queimando antes do ponto correto, gerando a sonora
"batida de pino", o combustível pode ser o problema. A melhor pedida
contra pré-ignição é pôr combustível com maior octanagem (gasolina premium ou
álcool). Com isso, o sistema eletrônico retarda o centelhamento da vela
(formação da faísca) e elimina a "batida".
Para quem raramente usa o carro, é bom só abastecer com gasolina
aditivada ou premium. Ambas demoram mais tempo para se deteriorar, pois têm
anti-oxidantes.
Não à toa os fabricantes indicam estes combustíveis para os tanquinhos
de partida a frio.
E quem nunca ouviu falar que a gasolina da Europa, dos Estados Unidos ou
da Argentina é melhor do que a brasileira? Não é bem assim...
— Antigamente nossa gasolina tinha chumbo e enxofre, que foram
eliminados. Hoje nosso combustível é equivalente ao vendido lá fora — garante
Henrique Pereira, da SAE Brasil.
A grande diferença para os outros países é a adição de etanol anidro
(vulgo álcool...), que varia de 20% para 25% de acordo com as safras de cana.
Ruim? Em termos... O álcool tem menos capacidade de gerar energia, mas acaba
aumentando a octanagem da gasolina — pode-se ter motores com mais compressão e
as modernas centrais eletrônicas de ignição vão ajustando o ponto. Não à toa,
os carros ficam mais potentes com o combustível originado da cana.
Usar álcool no carro flex pode ser ecologicamente correto, mas não tem
sido bom para o bolso. Como o consumo aumenta, vale a velha fórmula: o etanol
só é vantajoso se custar até 70% do valor da gasolina.
Mas não adianta saber isso tudo e abastecer em um posto com gasolina
batizada, que gera depósitos no sistema de injeção e pode até fundir o motor.
Postos que têm bandeira e programas de qualidade são mais confiáveis, embora
não sejam imunes a fraudes.
Jornal EXTRA onkine.



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