Moro
defende nos EUA que processos de corrupção sejam públicos.
Palestra
para estudantes ocorre dias após presidente Dilma criticar 'vazamentos
seletivos'.
O
juiz Sérgio Moro participa de seminário em São Paulo em março: nos EUA, ele
defendeu que processos de corrupção sejam públicos -
CHICAGO
— O juiz Sérgio Moro afirmou, na noite desta sexta-feira, em Chicago, nos
Estados Unidos, onde participou da terceira edição da BrazUSC — conferência de
estudantes universitários brasileiros no exterior, organizado pela Brasa —, que
os casos judiciais de corrupção têm de ser públicos.
A
fala do juiz responsável pela Operação Lava-Jato ocorre dias após a presidente
Dilma Rousseff reclamar, em evento publico, do “vazamento seletivo” de
informações processuais para “facilitar o golpe” do impeachment.
—
A Constituição é muito clara ao dizer que o processo deve ser, em regra,
público, e não em segredo. Isso é uma conquista do Estado de Direito, isso é
garantia para o individuo que é processado e para a sociedade que tenha
condições de assistir a Justiça Criminal.
A
Constituição brasileira é muito clara sobre a publicidade da Justiça, o segredo
é a exceção — disse ele, defendendo, como exemplo, o sigilo para casos de
crimes sexuais, em que a divulgação do caso seria uma segunda pena para a
vítima.
Aplaudido
de pé pelos cerca de 300 estudantes universitários brasileiros presentes no
evento, Moro afirmou que a Lava-Jato sofre uma série de ataques, mas que,
institucionalmente, há apoio para que todos os casos venham à tona.
Ele
minimizou o peso de suas ações na operação, dizendo que a polícia e o
Ministério Público são fundamentais e que também pode cometer erros, mas que
suas decisões são revisadas nas instâncias superiores da Justiça, que muitas
vezes as mantêm.
Sérgio
Moro argumentou que a Lava-Jato mostra que a corrupção é sistêmica e fez
críticas a empresas que pagam propinas.
Comparando
diversas vezes com a Operação Mãos Limpas, na Itália, ele defendeu que o Brasil
tenha maturidade institucional para avançar após a conclusão da operação.
Mas,
ele afirmou que isso não dependerá dos juízes, e sim dos políticos e da
sociedade. O juiz de Curitiba disse que o Brasil não deve ter a cultura
messiânica de se esperar um salvador.
Ele
disse também que um juiz não pode ser pressionado pela política. Moro afirmou
que a atencipação ou o adiamento das audiências do ex-diretor da Petrobras
Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Yousseff teria impactos políticos,
então ele decidiu por fazer tudo no ritmo normal.
—
Inegavelmente há uma instabilidade politica decorrente desta operação, mas no
fundo são escolhas a serem realizadas, e, minha perspectiva é que não temos
condições de varrer estes problemas para baixo do tapete.
Se
não enfretarmos estes problemas, teremos de encontrá-los nos próximos anos,
talvez em escala maior.
Moro
ainda afirmou que se “assusta um pouco” com o tamanho que a Lava-Jato tomou e
usou como exemplo, sem citar nomes, o caso de um ex-deputado que cometeu
corrupção enquanto era julgado no processo do mensalão.
Diante
dos risos da platéia, tentou passar seriedade:
— O pior é que isso não é
engraçado — disse.
FÉRIAS
SÓ APÓS O FIM DA LAVA-JATO
Moro
disse que só pensa em “férias” após o fim da operação e tentou passar uma
mensagem de otimismo, dizendo que o país já passou por problemas maiores, como
a ditadura e a hiperinflação. Afirmou que o importante é não confundir política
com Justiça e que as manifestações políticas de ruas ocorreram de forma
pacífica.
—
Este quadro de corrupção sistêmica não faz parte da natureza, não é uma doença
dos trópicos ou algo que o valha — disse.
Questionado
sobre o que achava do foro privilegiado, ele brincou dizendo que, segundo a
filosofia dos quadrinhos, quanto mais poderes, maiores as responsabilidades,
criticando indiretamente este instrumento:
—
No caso de corrupção sistêmica é um desafio Supremo julgar todos os casos —
afirmou.
POR HENRIQUE GOMES
BATISTA, ENVIADO ESPECIAL.
Jornal
O GLOBO online. Edilson Dantas / Agência O Globo
Leia mais sobre esse
assunto em http://oglobo.globo.com/brasil/moro-defende-nos-eua-que-processos-de-corrupcao-sejam-publicos-19050797#ixzz45KYPXM24

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