A era do exibicionismo digital
O que leva cada vez mais pessoas a abrir mão de sua
privacidade e divulgar detalhes da sua intimidade nas redes sociais, numa
exposição sem limites e repleta de riscos
Assista à entrevista com Gabriela Pugliesi: "Ela
não anda, ela desfila, é top, capa de revista. É a mais mais,
ela arrasa no look. Tira foto no espelho pra postar no Facebook".
ela arrasa no look. Tira foto no espelho pra postar no Facebook".
O funk “Ela é Top”, de MC Bola,
onipresente nas pistas brasileiras desde abril do ano passado, descreve uma
típica garota carioca, de formas, gestuais e vestuário superlativos, que, não
contente em chamar a atenção por onde passa, registra todos os seus provocantes
trajes em fotos e os posta nas redes sociais.
Tamanho sucesso tem explicação óbvia,
além do ritmo pegajoso e hipnotizante. O hábito da musa de MC Bola é adotado
por milhões de pessoas, homens e mulheres que, desde a mais tenra idade, numa
viagem um tanto inconsequente e com altas doses de carência, diversão e
despreocupação, abrem mão da privacidade e compartilham sua rotina e intimidade
nas redes sociais, numa exposição sem limites e repleta de riscos.
Até o presidente dos Estados Unidos
embarcou nessa onda egocêntrica. Na terça-feira 10, Barack Obama, o primeiro
ministro britânico, David Cameron, e a premiê da Dinamarca, Helle
Thorning-Schmidt, ganharam a atenção do mundo ao registrarem um polêmico
autorretrato pelo celular durante o funeral do líder africano Nelson Mandela.
Ainda que a foto não tenha ido parar em nenhuma
rede social, o gesto do poderoso trio é uma marca dos dias atuais, tanto que
ganhou um nome: selfie. O termo em inglês é usado para descrever fotos de si
mesmo e foi eleito pelo “Dicionário Oxford” como a palavra do ano.
Se antes as chances de fotografar pessoas e
momentos únicos estavam restritas a, no máximo, 36 poses de um filme, hoje as
novas tecnologias possibilitam infinitas tentativas, com os mais diversos
conteúdos.
São inúmeras as ferramentas para registrar imagens
e lugares, produzir vídeos e publicá-los na internet, passatempo hoje de
milhões de usuários das redes sociais. O Brasil se destaca nessa área.
Uma pesquisa realizada pela Nielsen detectou que os
brasileiros são os que mais usam mídias sociais no mundo, superando países mais
populosos como Estados Unidos, Índia e China. O levantamento mostra que 75% da
população nacional acredita que a principal função do smartphone é acessa-las.
“As pessoas gostam de se relacionar e de contar
aspectos de sua vida particular às outras e a web potencializou esse
comportamento”, afirma Fernanda Pascale Leonardi, especialista em direito
digital. “Os brasileiros têm o hábito de se expor, de dizer que vão viajar, de
contar o que compraram, mas é preciso entender que na internet há um nível
insuficiente de privacidade.”
A bacharel em direito Gabriela Fonseca, 25 anos, é
adepta das redes sociais desde os tempos do Orkut. Por meio dele, por exemplo,
conheceu o marido, Bruno Barioni. E pelas novas plataformas descobriu um jeito
inovador de organizar seu casamento.
“Encontrei minha assessora por meio do Facebook e
todos os fornecedores foram contratados pelo Instagram.” Um dia antes da
cerimônia, Gabriela teve a ideia de pedir para seus convidados desbloquearem as
redes sociais para que ela pudesse ter acesso às fotos do dia.
Com isso, criou-se uma teia de amigos que
compartilhavam informações sobre o evento. “Percebi que as pessoas começaram a
usar mais as redes sociais durante as cerimônias”, diz. Temos, então, o que
muitos críticos apontam como a sociedade do espetáculo, na qual comemorações
particulares ganham ares de grandes acontecimentos públicos.
Leia a reportagem integral na Revista ISTOÉ online.
Por:Fabíola Perez.

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