Um CEO, na verdade não faz nada, não
executa. Ele inspira pessoas, aloca recursos e sobretudo garante que todos
tenham as condições de fazer da melhor forma o seu trabalho.
Ao assistirmos uma orquestra
sinfônica performando uma obra clássica, fica muito claro o papel do líder, do
maestro. Ele é responsável pelo timing de cada instrumento, pelo ritmo, a
direção e o alinhamento geral e harmonia entre todos os instrumentos.
Todo
grande maestro, assim como todo grande líder, somente consegue alcançar a
excelência ou, como dizemos atualmente, a alta performance) quando tem a
capacidade de exercer influência legítima sobre seus liderados.
Influência
é o instrumento mais poderoso da liderança.
É
a habilidade de provocar um impacto positivo nas outras pessoas, persuadindo e
convencendo os liderados a suportá-lo e apoiá-lo de forma verdadeira em suas
ideias e seus projetos.
Quando
a influência legítima se faz presente no ambiente de trabalho, não existe mais
o ‘plano do líder’ ou o ‘projeto da empresa’. Todos tomam para si os ideais, a
visão e as consequências. Isso leva a excelência.
Existe
uma literatura ampla a respeito dos mecanismos e princípios fundamentais da
influência. Robert Cialdini, psicólogo na Universidade do Arizona nos
Estados Unidos, especialista na arte da influência e persuasão, enumera o que
ele denomina as “armas da influência”, isto é, comportamentos básicos que nos
auxiliam a ampliar nossa capacidade de influenciar os outros.
Estes
comportamentos são a reciprocidade, comprometimento e consistência, busca por
aprovação social, entre outros. Mas na verdade o tema não é tão simples assim.
A
influência é uma competência social.
Segundo o escritor e jornalista científico Daniel Goleman, “Líderes que possuem
autoconsciência emocional, autocontrole de suas emoções e comportamentos, são
adaptáveis e possuem alto grau de empatia, são capazes de expressar usas
ideias, visões e conceitos de forma altamente convincente e persuasiva”.
Os
líderes empáticos são capazes de sentir o estado emocional dos membros da sua
equipe e responder com compreensão e apoio.
Essa conexão
emocional promove confiança, cooperação e um
ambiente de trabalho positivo. A pergunta deste tipo de líder ao liderado é:
Como posso te ajudar, para que você faça melhor o seu trabalho?
É
muito pouco provável que executivos centrados no estilo de liderança de comando
e controle, tão comum no mundo empresarial, possam gerar alta performance de
forma sustentável.
Autoridade
formal, cargo, artefatos de poder, não são instrumentos de influência e sim de
exercício de controle, incapazes de entregar excelência ao longo do tempo.
Por
ser uma competência emocional, o poder de influência se origina e é reconhecido
pelo nosso sistema límbico, área mais antiga de nosso cérebro e responsável
pelo processamento de emoções, formação de memórias e regulação do
comportamento.
Líderes
visionários e que privilegiam a atuação como coachs e mentores tendem a ter um
poder de influência muito maior.
Seja
em liderando uma orquestra sinfônica, ou liderando um pequeno departamento em
sua empresa, a sua capacidade de influenciar e mobilizar seu time em direção de
suas ideias e visões, vai depender muito mais de suas competências emocionais
do que de seu conhecimento técnico, posição e autoridade.
Se
você pretende ser um líder capaz de influenciar e mobilizar sua equipe em torno
de sua visão, inicie pela mudança de suas emoções.
Seja
humilde e se coloque a serviço de todos de sua equipe.
O
líder influenciador é aquele que alcança a excelência sem ser o protagonista da
história. Ao contrário, aprende a delegar o protagonismo.
Parece
difícil (e na verdade é!), por isso existem tão poucos maestros de grande
sucesso no mundo. Comece sua jornada já ou se acomode no mundo finito do
comando e controle.
Jorge
Sant’Anna é diretor-presidente e cofundador da BMG Seguros e membro do Conselho
de Administração da Associação Brasileira de Bancos.
Jorge
Sant’Anna: "Autoridade formal, cargo, artefatos de poder, não são
instrumentos de influência e sim de exercício de controle, incapazes de
entregar excelência ao longo do tempo" (Crédito:Divulgação).
Conteúdo: ISTOÉ DINHEIRO
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